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Cachaça em Minas: avanços com nova lei do IMA, mas desafios persistem no setor

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A mudança na legislação estadual, que transferiu ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) a fiscalização da cachaça e de produtos vegetais, é vista com otimismo pelo setor, mas produtores e técnicos alertam para desafios relacionados à regularização e à concorrência clandestina.

Nova lei promete agilizar registros e fiscalizações

A Lei nº 25.424, sancionada pelo Governo de Minas Gerais em 2 de agosto de 2025, delega ao IMA a responsabilidade pela inspeção e fiscalização de produtos de origem vegetal destinados à alimentação humana, incluindo a cachaça. Segundo Roger Sejas, presidente da Comissão Técnica da Cachaça de Alambique, a mudança deve acelerar registros e fiscalizações, graças à estrutura mais ampla e capilar do IMA em comparação ao Ministério da Agricultura.

“O IMA passa a ser o ente fiscalizatório do setor de bebidas no estado, o que tende a trazer mais agilidade. Mas é fundamental que a fiscalização atue de forma assertiva também contra o mercado clandestino”, destacou Sejas. Ele alertou ainda para o risco de punição dupla, já que o setor continuará regulado por legislação federal e agora também pelo IMA.

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Apoio técnico e cooperativas fortalecem produtores

O diálogo constante entre a Comissão Técnica, entidades e produtores tem sido decisivo para o avanço do setor. Em encontro realizado em 6 de agosto, o IMA esclareceu pontos da nova lei aos participantes.

Neurimar José Pinto, responsável técnico da Coopercalc – cooperativa da Região Calcária que reúne 25 produtores familiares de cachaça –, destacou que o apoio técnico é essencial para a legalização e gestão dos negócios. “O ATeG trouxe um diferencial: antes pensávamos apenas em regularização; agora, os produtores controlam custos, planejam e gerem seus negócios como empresas rurais”, explicou.

A cooperativa deve produzir cerca de 2,5 milhões de litros de cachaça em 2024, reforçando a importância de gestão profissional e fiscalização equilibrada, que atinja tanto produtores quanto comerciantes de produtos clandestinos.

Produtores celebram conquistas e buscam superar desafios

O produtor Ivam Caetano Costa, da Cachaça São Caetano, vê na nova lei uma oportunidade de reduzir a concorrência desleal. “Foi difícil regularizar tudo, entre burocracia ambiental, do Mapa e da Receita Federal. Agora, acredito que será mais fácil para outros produtores e para diminuir o mercado clandestino”, afirmou.

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Já Dárcio William da Silveira, com tradição familiar na produção de cachaça, produz até 130 mil litros ao ano e destaca desafios como falta de mão de obra e altos investimentos. Ele celebra o apoio da cooperativa e do programa ATeG, que oferece orientação técnica e segurança para enfrentar obstáculos do setor.

Expectativas para o setor com o IMA

Com a legislação, espera-se que o IMA amplie sua fiscalização para produtores ainda não regularizados e combata de forma mais eficaz o comércio informal. O setor aposta que, com apoio técnico, gestão eficiente e união entre produtores, será possível fortalecer a cachaça mineira, preservando tradição, qualidade e competitividade.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de café na Ásia enfrenta escassez de oferta e preocupa traders com riscos climáticos do El Niño

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O mercado de café no Sudeste Asiático segue operando com oferta restrita e baixa liquidez nas últimas semanas, em um cenário marcado pela retenção de vendas no Vietnã, atrasos na colheita da Indonésia e crescente preocupação com os impactos climáticos associados ao possível retorno do fenôeno El Niño. A avaliação é da Hedgepoint Global Markets, que monitora o comportamento do mercado global da commodity.

Segundo a análise, o Vietnã — maior produtor mundial de café robusta — registrou forte desempenho nas exportações até abril da safra 2025/26, embarcando 18,6 milhões de sacas, volume 23,9% superior ao observado no mesmo período do ciclo anterior.

Vietnã reduz disponibilidade de café após vendas aceleradas

De acordo com a Hedgepoint Global Markets, os produtores vietnamitas aproveitaram os preços elevados, a maior oferta da safra e a menor presença do Brasil nas exportações nos últimos meses para intensificar as vendas no início da temporada.

Com grande parte da produção já comercializada e o país entrando no período de entressafra, os produtores passaram a reduzir o ritmo de novos negócios, diminuindo a disponibilidade de café no mercado internacional.

Esse movimento levou compradores a buscar alternativas na Indonésia. No entanto, o país também enfrenta dificuldades de oferta.

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Chuvas atrasam colheita de café na Indonésia

As chuvas intensas registradas nas últimas semanas provocaram atrasos no início da colheita da safra 2026/27 da Indonésia, reduzindo a disponibilidade imediata do produto e limitando os volumes exportados.

“A safra 26/27 da Indonésia tinha previsão de começar em abril, com volumes maiores chegando ao mercado a partir de maio. No entanto, chuvas intensas ao longo do mês passado atrasaram o início da colheita, limitando a disponibilidade de café”, afirma Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

Oferta restrita sustenta preços do café robusta

O cenário de menor disponibilidade na Ásia também tem sustentado os preços internacionais do café robusta, principalmente porque a entrada da safra brasileira 2026/27 ainda ocorre de forma lenta, apesar da expectativa de produção recorde.

Outro fator que contribui para o suporte das cotações é o fortalecimento do real frente ao dólar, condição que reduz o interesse de produtores brasileiros em acelerar vendas no curto prazo.

El Niño amplia preocupações para próximas safras

Além das restrições imediatas de oferta, o clima segue no radar do mercado cafeeiro global. No Vietnã, abril registrou chuvas abaixo da média após um março mais úmido, aumentando as preocupações sobre a floração e o desenvolvimento das lavouras.

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As atenções do mercado se concentram na possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño ao longo do segundo trimestre, fenômeno que pode afetar a disponibilidade hídrica nas regiões produtoras.

“Até o momento, nenhum impacto negativo foi relatado, e chuvas adicionais são esperadas nos próximos dias, o que deve proporcionar algum alívio aos agricultores”, destaca Laleska Moda.

Segundo a analista, os maiores riscos climáticos ainda estão concentrados nas próximas temporadas.

“Os principais riscos são vistos atualmente para a safra 27/28, já que o El Niño poderia restringir a disponibilidade de água para irrigação e atrasar a floração do café”, afirma.

Mercado segue atento à oferta global de café

Com estoques reduzidos no Vietnã, atraso da colheita na Indonésia e incertezas climáticas para os próximos ciclos, o mercado internacional de café segue monitorando de perto a evolução da oferta asiática.

A combinação entre menor disponibilidade imediata e riscos climáticos futuros mantém o setor em alerta e reforça a volatilidade nas cotações globais do café robusta.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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