A Polícia Civil de Mato Grosso, iniciou a implantação de mais duas unidades da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, nos municípios de Sorriso e Lucas do Rio Verde. O investimento faz parte do projeto que buscar ampliar a rede de atendimento e acolhimento às mulheres vítimas de violência.
Na terça-feira (12.5), representantes da Diretoria da Polícia Civil visitaram os dois locais escolhidos para as obras, bem como participaram de reuniões com os prefeitos dos respectivos municípios.
As visitas técnicas tiveram como objetivo principal o alinhamento da parte sistêmica e questões estruturais necessárias para a implantação e estruturação das especializadas.
Conforme o diretor de Administração Sistêmica, Wagner Bassi Junior, as novas estruturas fazem parte das ações de fortalecimento da segurança pública e da política de enfrentamento à violência contra a mulher, garantindo atendimento especializado, mais ágil e humanizado às vítimas.
“As obras representam um avanço na interiorização dos serviços especializados, aproximando o atendimento das demandas regionais e fortalecendo as ações voltadas à proteção e garantia de direitos das mulheres e vulneráveis”, disse Wagner Bassi.
A previsão é de que as duas delegacias estejam em funcionamento nos próximos 60 dias, fortalecendo a rede de proteção às mulheres no interior do Estado e ampliando o acesso aos serviços especializados da Polícia Civil.
Participaram das visitas técnicas junto com o diretor de Administração Sistêmica, Wagner Bassi Junior, o diretor da Acadepol, Fausto José Freitas, e o assessor especial, Vitor Hugo Bruzulato.
Em Sorriso
A Delegacia Especializada de Defesa da Mulher será implantada no próprio prédio da unidade policial existente no município. O espaço destinado à delegacia especializada possuirá 273 m², adequado para receber a nova estrutura de atendimento especializado.
Durante a reunião dos diretores da Polícia Civil com o prefeito de Sorriso, Alei Fernandes, foi definido o cronograma final das adequações prediais, com previsão de funcionamento para os próximos dois meses.
Em Lucas do Rio Verde
A primeira Delegacia Especializada de Defesa da Mulher do município será instalada no antigo prédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em uma área de aproximadamente 390 m².
O prefeito de Lucas do Rio Verde, Miguel Vaz, acompanhando da secretária de Assistência Social e Habitação, Janice Ribeiro, dos diretores da Polícia Civil, e servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, vistoriaram o imóvel para acompanhar o início das obras.
O prefeito Miguel Vaz destacou que a instalação da delegacia representa uma conquista importante para o município e reforçará a segurança pública, especialmente no combate à violência contra a mulher.
“A nova estrutura permitirá um atendimento mais humanizado, especializado e sigiloso às vítimas, garantindo melhores condições de acolhimento e suporte durante os procedimentos policiais”, completou o prefeito.
A Polícia Civil está realizando, nesta quarta e quinta-feira (13 e 14.5), a terceira edição do Seminário de Investigação de Delitos Cometidos Contra Mulheres por Razão de Gênero, no auditório da Secretaria de Planejamento (Seplag).
O encontro visa aprimorar técnicas de investigação e qualificar os policiais civis para atuar em casos com perspectiva de gênero desde o primeiro acolhimento, com o pedido de medidas protetivas.
“O objetivo dessa capacitação é alcançar diversos policiais plantonistas do Estado de Mato Grosso, buscando capacitar a Polícia Civil para oferecer um atendimento adequado, humanizado, para que nossas assistidas, ao entrar nas delegacias, recebam um atendimento padronizado e eficiente”, afirmou a coordenadora de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis, Judá Maali Pinheiro Marcondes.
A secretária de Segurança de Mato Grosso, coronel Susane Tamanho, esteve presente na solenidade de abertura do seminário, e falou sobre a importância da sensibilidade dos servidores que trabalham com a violência contra a mulher.
“Não adianta a gente ter os melhores investimentos, os melhores equipamentos, a melhor tecnologia, se a gente não tiver essa sensibilidade no primeiro atendimento. Vocês são responsáveis por muitas das vezes mudar o curso da vida daquela mulher. A gente sabe que não é somente um problema de segurança, é um problema da sociedade como um todo, mas recai onde? Na segurança. A pessoa, quando se vê em perigo, procura a segurança. Então, nós somos, talvez, a última esperança, a última voz que aquela mulher vai ter para poder ter a sua integridade preservada”, disse a secretária.
A chefe do Gabinete de Enfrentamento a Violência de Gênero Contra a Mulher, delegada Mariell Antonini, reforçou que os papéis da Polícia Civil de fazer o primeiro atendimento e de conduzir uma investigação qualificada são muito importantes.
“Hoje se usa muito a Inteligência Artificial, mas o que não pode ser substituído no nosso dia a dia é o atendimento qualificado. Isso o computador não vai poder fazer por nós, nós temos que fazer o atendimento, ter o cuidado com o local de crime, a coleta qualificada de elementos investigativos, tudo isso é providência que depende dos profissionais que atuam nessa pauta do enfrentamento à violência contra a mulher e a Polícia Civil tem esse papel primordial de ser a porta de entrada em que as vítimas comumente recorrem”, afirmou a delegada.
Mariell afirmou que um dos motivos da capacitação ser realizada é para que os policiais compreendam essa necessidade de atender bem e evoluir na investigação. O que foi enfatizado pela delegada-geral da Polícia Civil, Daniela Maidel.
“Nós estamos aqui reunidos para entender e buscar como melhor investigar, para nós alcançarmos, enfim, a diminuição desses números assustadores que nós temos hoje na nossa sociedade. A missão constitucional da Polícia Judiciária Civil é investigar crimes, nós temos um papel muito importante nesse cenário, e eu confio muito que a investigação bem conduzida começa já no primeiro atendimento, quando nós atendemos a vítima lá no plantão, quando nós tomamos cuidado para preservar os vestígios, quando nós temos esse primeiro olhar desde a entrada da vítima na delegacia, o olhar sensível e investigativo”, declarou a delegada-geral.
Ao todo, 127 policiais, entre investigadores, escrivães e delegados, das 15 regionais do Estado, participam do seminário, que terá oito palestras e certificação de 12 horas.
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